Hikikomori – Você sabe o que é?

hikikomori

Hikikoromi era originalmente um termo japonês usado para descrever pessoas que se retiravam para o campo após a aposentadoria, hoje é um termo que designa um comportamento de extremo isolamento doméstico.

Os hikikomoris são pessoas geralmente jovens entre 15 e 39 anos que se retiram completamente da sociedade, evitando contato com outras pessoas. Há casos extremos aonde filhos chegam aos 40 anos ainda dependentes dos pais e sem experiência profissional.

Não apenas no Japão, os hikikomoris podem ser encontrados em qualquer centro urbano do mundo com incidência em famílias onde o poder aquisitivo é maior.

Mais afinal o que leva uma pessoa a se isolar do mundo?

“Normalmente o problema começa na adolescência, após enfrentar casos de ijime (maus-tratos na escola) ou falta de adaptação devido à pressão social que existe no Japão para não transgredir as regras sociais”, disse Mami Iwamoto, diretora de um centro de reabilitação para vítimas de hikikomori em Yokohama (Kanagawa).

O fenônemo hikikomori, que segundo Mami atinge um em cada 40 lares japoneses, está relacionado em alguns casos com o fenômeno otaku – que para os japoneses trata-se de uma palavra que descreve qualquer tipo de fanático (diferente do significado adquirido nos países ocidentais) 

“Mas o que difere os otaku dos hikikomori? Qual é o limite entre a dedicação maníaca aos quadrinhos e a vida solitária fruto de uma escolha consciente? Embora o isolamento social seja um aspecto comum aos dois casos, os hikikomori protegem-se fisicamente dentro de seus quartos, enquanto os otakus isolam-se subjetivamente dentro de um universo midiático.” – Chirstopher Ullhaas e Carola Bimbi no artigo Geração Mangá

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“O hikikomori afunda e, sem trabalho psicoterápico, o retorno à sociedade parece impensável. Já o otaku é ativo, criador.” – Michael Manfé

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Segundo Iwamoto, alguns jovens reclusos passam o tempo dormindo durante o dia e jogando games ou navegando na internet durante a noite, porque para eles é mais fácil interagirem em um mundo virtual do que no mundo real, onde é necessário fazer esforços.

Como acontece muitas vezes entre os lares japoneses, os pais não forçam os filhos reclusos a saírem de casa, com a esperança de que o mal passe com o tempo. É comum que a família sinta-se envergonhada com a situação e esconda o fato do estar sofrendo de hikikomori.

Vale ressaltar que não é preciso muito para que uma pessoa seja jogada ao abismo. Muitos dos casos desse isolamento se têm origem em algum momento de fracasso pessoal, como a perda de um emprego, não entrar para faculdade, entre outras coisas.

Um hikikomori tem total consciência do estado em que se encontra, mas o seu retorno à sociedade é algo complicado. Quanto mais tempo ele permanecer no isolamento, mais difícil será esse retorno.

Em 2007 o governo Japonês implantou um programa de assistência aos hikikomoris – assistentes sociais estabelecem contato com eles através de cartas, telefonemas e depois os convidam a sair para cinema, praças, shoppings, estimulando o contato social e consequentemente melhorando o estado de isolamento. Essas assistentes sociais são chamadas de “Super Irmãs” por serem do sexo feminino e conseguirem re-erguer muitos jovens masculinos nessa situação.

O tratamento é feito estimulando o jovem a atividades sociais, culturais e esportivas, porém a companhia constante de outra pessoa apoiando é fundamental, visto que os hikikomoris são extremamente sensíveis a interações humanas. Na Inglaterra, grupos de apoio dos que sofrem o mesmo problema se mostraram bastante eficientes.

Bem-vindo-à-NHK-1

Para se informar melhor sobre o tema, uma boa indicação é o mangá Bem-vindo à N.H.K (N.H.K ni Yokoso, no original ou Welcome to N.H.K, em inglês), de Tatsuhiko Takimoto e Kenji Oiwa. É um mangá bem interessante que conta a história de Tatsuhiro Sato um hikkikomori viciado em hentai que não sai de casa para nada e acredita que a NHK (rede de televisão estatal japonesa) seja a causa dos seus problemas. A série aborda assuntos espinhosos como vício em drogas, lolicon, suicídio e doenças mentais.

São 8 volumes no total – que alias foram lançados aqui no Brasil pela Panini. Ou se preferir, tem a versão em anime com 24 episódios.

Se não for o suficiente, visite os links que irei deixar como fonte no final, de onde tirei as informações para fazer esse post (pode-se dizer que esse post é apenas um resumo).

 sato“Claro que quatro anos de reclusão podem causar sérios prejuízos à mente de uma pessoa. E o mais fatal desses prejuízos é na comunicação com terceiros…” – Tatsuhiro Sato

FONTES: Wikipédia: Hikikomori                                                                                                                        Otakismo: Hikikomori, o eremita do Japão                                                                                      Ipcdigital: Hikikomori, um mal que atinge os jovens no Japão

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3 respostas para Hikikomori – Você sabe o que é?

  1. Charles disse:

    Eu queria ser um,mas não tenho uma família rica,então tenho que me virar HUEHUE -sqn
    Ficou bem legal o post xD

  2. Facilus disse:

    Alguém sabe o termo oposto? É um termo pejorativo usado para quem tem a vida na sociedade ativa, tipo, trabalha, tem namorada, filhos, amigos e etc.

  3. Autora Anônima disse:

    Confesso que no início até me assustei com os termos mas não é tão estranho,olhando bem em parte de minha vida eu quase me tornei uma hikikomori.

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